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Trade-off

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#11# A Força de Acreditar (Parte I)

A escolha deste título não é inocente, e toda e qualquer coincidência com a actualidade, é mesmo propositada. Não me querendo cingir ao dito “caso” Banif, a verdade é que este slogan promocional, no actual contexto, se traduz numa mensagem mais ampla.

 

Quem está no seio do sistema financeiro ou quem simplesmente se importa por saber mais, sabe que o maior activo de um banco não é a marca (embora possa contribuir para o manter), não são as pessoas que lá trabalham (embora sejam em grande parte a imagem do mesmo) mas é a confiança que os seus clientes têm quando colocam as suas poupanças à guarda do banco.

 

Ora quando há cerca de uma semana, um meio de comunicação decide publicar uma notícia em que coloca em causa a continuidade de um banco, eis que surgem sinais de alarme. Especialmente após o desfecho do “BES”, quem possuía qualquer tipo de valores junto do BANIF preocupou-se imediatamente em madrugar na Segunda-Feira para ir, junto da agência mais próxima, recolher os fundos colocados à guarda da mesma.

 

Esta situação, analisada de uma forma isolada, era suficiente para que um banco, mesmo sem problemas reputacionais, de liquidez ou de capital, presenciasse imediatamente uma situação caótica de falta de confiança, derivando assim numa quebra de liquidez.

 

Urge por isso averiguar as razões que motivaram que um meio de comunicação lançasse uma notícia desta dimensão e, numa fase posterior, se assim ficar provado, penalizá-lo. Das duas, uma: (i) o meio de comunicação tinha em sua posse informação privilegiada que lhe permitiu suportar a notícia, ou, caso contrário, (ii) apurar o porquê da notícia sem qualquer fundamento. Na minha opinião, em virtude da assunção de culpa[1], assumo que a investigação, a haver, se deverá debruçar já na segunda alternativa.

 

( Sou ainda capaz de tecer uma espécie de jurisprudência “tacanha” para este caso, atente-se sem qualquer ligação causal ou partidária. Se uma personalidade pública conseguiu judicialmente que um meio de comunicação não se pudesse pronunciasse sobre si, não poderia também eu, enquanto contribuinte, cidadão ou cliente daquele banco, porventura até a autoridade de supervisão, interpor uma acção judicial para que nenhum meio de comunicação pudesse lançar uma notícia daquela dimensão? )

 

Esta é a primeira parte. Julgo que este episódio ilustrou bem, embora com as consequências negativas associadas, o valor incomensurável da confiança num banco e no sistema financeiro.

 

Agora a segunda parte. Numa altura destas é exigida uma tomada de posição firme para, pelo menos em parte, tentar “agarrar” alguma da confiança que entretanto se perdeu. Mas a situação agrava-se a cada minuto com o efeito “bola de neve” de imagens e reportagens de agências atoladas de clientes sequiosos de recuperar as poupanças.

 

Neste cenário, sou presenteado com um comunicado[2] da instância de supervisão e regulação do país que sinceramente, depois do que se passou há pouco mais de um ano, não revela grande destreza. O comunicado revela sobretudo a hierarquização das relações institucionais para o assunto em questão, bem como as limitações de poderes inerentes à sua função.

 

[1]http://www.jornaldenegocios.pt/empresas/banca___financas/detalhe/tvi_pede_desculpas_a_espectadores_accionistas_e_trabalhadores_do_banif.html

 

[2] https://www.bportugal.pt/pt-PT/OBancoeoEurosistema/ComunicadoseNotasdeInformacao/Paginas/combp20151215.aspx

 

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